quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

terça-feira, 26 de junho de 2012

O Diário de Nicholas Morgenstern part. 8


Nicholas Morgenstern


...Eu... Onde estou? Essa decoração de casamento, e... Peraí eu sou o noivo? Bom, eu estou num altar de casamento, e está tocando a marcha nupcial e Alice?! Ela vem em minha direção com aquele lindo vestido branco e aquele maldito chapéu que me impedia de admirar a sua beleza por completo, ela não parecia triste a vejo até sorridente, como isso é possível? Ela vai se casar a força e ainda sorri. Quando o padre perguntou se ela gostaria de ser a senhora Morgenstern ela simplesmente disse sim, e a cena muda ela está me pedindo permissão para dançar com o Jonathan eu concedo é claro, e foi então que eu vi aquele maldito escondido na sombra no caminho da plantação: Jack Jackson, o pai de Alice, fui até ele e perguntei o que queria ele sorriu me entregou uma carta e disse para entregá-la em mãos aos destinatários e que se eu o seguisse ele matava o meu bando, meus amigos, desgraçado!... E ai eu finalmente acordei desse maldito pesadelo, droga! O pior é ser verdade, eu estou indo entregar essa maldita carta como um maldito mensageiro, um peão jogado de um lado para o outro nesse joguinho de poder. Argh! Amaldiçoado sejam.
Levantei, o sol ainda não havia nascido; mas não ia tardar a acontecer e eu sabia que não conseguiria dormir mais o que não me surpreende com tanta coisa em minha cabeça logo teria cabelos brancos de tanto pensar e me torturar. A ronda estava com o Skinner, o mandei dormir já que eu estava bem desperto. Não fiquei muito tempo a sós com meus pensamentos, ao que parece não sou só eu que estou com dificuldades para dormir, Jonathan levantou e sentou ao meu lado, a princípio nada disse mas a medida que o tempo foi passando ele que estava cabisbaixo de súbito levantou a cabeça quase como se tivesse tido uma revelação, deu um sorrisinho, e me olhou nos olhos como se pudesse desvendar todos os meus segredos se me olhasse o suficiente, sorriu de novo e olhou para o leste onde pôde ver os primeiros indícios de dia e finalmente falou, o que me tirou de minha agonizante reflexão dos fatos - Nic, eu não sei se devo ficar preocupado. Você é o meu melhor amigo, na verdade você é como o irmão que eu não tive e não minta nem negue a verdade para si e para mim, mas você está apaixonado por Alice!? - eu não entendi se era uma pergunta ou uma afirmação e preferi não questionar a linha de raciocínio de John - É o que eu acho, mas o que eu realmente quero saber é o que você acha?
- John, eu nem sei o que te dizer, a verdade é que não sei o que dizer para mim mesmo então estou focado apenas em meu dever, em minha honra, e consequentemente a promessa que fiz para Elliot de proteger Aly, estou fazendo isso.
- Você abriu a carta?
- Sim, é claro. Eu jamais levaria uma armadilha para Elliot, aliás você foi ótimo despistando os capangas de Jack, devo dizer que eu jamais pensaria no óbvio. Dizer para eles exatamente o que iríamos fazer, para que eles tivessem que consultar  Jack, e que assim tomássemos a dianteira e chegássemos antes deles. Brilhante!
- Obrigada Nic, no entanto não mude o rumo da conversa tentando me ludibriar com seus elogios sinceros. - eu ri como sempre faço quando esse homenzarrão sagaz me pega no pulo do gato.
- Fui pego! - me rendi.
- Eu só quero o seu bem, se for se apaixonar pelo menos tenha  a dignidade de assumir para si mesmo, antes que seja tarde demais para consertar qualquer bobagem.
- Obrigado pelo conselho amigo, ou melhor: irmão, mas agora já esta em tempo de acordar estes preguiçosos antes que perdamos nossa vantagem.
 Após todos de pé a cavalgada foi intensa, paramos apenas para uma rápida refeição ao meio dia e continuamos até exaurir os cavalos que a noite foram recompensados com: água, alimento e um belo descanso. Quando liberei meu cavalo a noite minhas pernas doloridas tremiam, sentei e estirei as pernas. Paul me trouxe um pouco de água, sentou do meu lado refletindo meu movimento para que as suas próprias pernas também parassem de tremer e nós dois rimos, ele disse - Estamos parecendo uns maricas que não conseguem nem montar um cavalo, tremendo que nem vara verde.
- É exatamente o que parece sua mulherzinha. - respondi.
- Nic...
- Sim?
- Você sabe que Alice ficou sozinha, desprotegida né?
- Ele não vai fazer mau a ela, ele quer vingança. Jack esperou esse tempo todo por Elliot e Maryse ele não vai estragar tudo fazendo mau a Alice, não agora que está tão próximo de conseguir o que ele quer.
- Nós vamos chegar amanhã, você já sabe o que vai dizer a eles quando os encontrar?
- Nada, eu não tenho nada a dizer a eles. Os fatos vão dizer por si só. Vou entregar a carta para que leiam e tomem sua decisão, e logo após voltamos. Isso é tudo. Estamos apenas cumprindo nosso dever.
- Você é quem sabe.
- É claro que eu sei, agora toma sua água de volta e bebe pra parar de falar besteira o que não vai te impedir de pensar nelas, infelizmente.
- Nossa como tá sensível, mulherzinha.- e o merda saiu correndo e eu atrás dele para lhe dar uns cascudos, saímos embolando pela relva, quando eu o alcançei, e nos esmurramos um bocado. Foi divertido. Comemos a caça que Skinner, Jonathan, e Jared trouxeram; eu e Paul já havíamos armado acampamento, todos foram dormir, a primeira ronda foi a minha, e quando a minha ronda já estava acabando ouvi um barulho acordei Jonathan fomos juntos olhar a oeste de onde vinha um barulho de cavalgar de cavalo, era alguém bem vestido, num cavalo vistoso, um garanhão sem dúvida, nos olhamos por algns segundos tentando decidir o que fazer. Estávamos agachados, Jonathan deu de ombros querendo dizer "você decide o que quer fazer" então eu levantei e ele acompanhou o movimento, atirei  para cima e disse em alto e bom som - Se você não descer desse maldito cavalo, colocar as mãos aonde eu possa ver, e se identificar eu vou estourar os seus miolos entendeu? - e o que eu não esperava aconteceu, uma voz familiar disse - Nic? - a voz do desgraçado do Elliot, o que esse idiota fazia no meio da noite aqui, logo aqui? Ele desceu do garanhão, e seguiu minhas instruções porque eu não estava brincando sobre atirar pra matar e por fim se identificou - Eu sou Elliot Jackson e você Nicholas Morgenstern meu amigo eu presumo.
- Eu presumo. - o imitei com uma voz afeminada bem baixinho, a ponto de apenas John que estava ao meu lado ouvir, e não se conter com um riso abafado pela mão.
- Posso? - o idiota disse com os braços abertos como se esperasse que eu ainda fosse aquela criança remelenta que ele conheceu a muitos anos atrás, o contemplei apenas com uma mão estendida que ele comprimentou com muita alegria. Suspirei e tirei a carta de minha bolsa surrada, que carrego comigo o tempo todo até mesmo dormindo se puder, não disse nada e me afastei com John em meu encalso. Me aqueci na fogueira, Jonathan era o próximo na ronda, então fui me preparar para dormir antes de ter que voltar para casa amanhã, espera eu disse casa? Estou ficando um molenga mesmo, pensando em deixar essa vida de lobo alfa. E aparece o retardado do Elliot, nada de soneca então, suspiro.
- Dick mandou um mensageiro de barco que chegou no porto esta tarde. Logo após você sair da sala dele Jack apareceu lá e disse que ele o havia enviado a mim, e que eu teria que voltar para em fim ele poder defender sua honra  e por isso estou a sua procura.
- E decidiu cavalgar sozinho a minha procura? Ficou maluco? Isso não foi nada inteligente, além de quê, poderia ser uma emboscada e eu poderia ter estourado esse seu cabeção desmiolado.
- Eu sei, mas confio em você Nic. Sempre confiei. Você está em posse de meu bem mais precioso.
- Esta se referindo a menina que você abandonou em São Francisco? Esta falando de Alice? A sua filha que você deixou na mão de um homem de caráter dúvidavel e seu bando.
- Eu fiz isso para a proteção dela, e posso te contar tudo o que quiser, posso explicar tudo. Acorde seus homens e cavalgue comigo até o porto tem um navio já pronto para levar-nos de volta a São Francisco. Eu preparei uma comitiva inteira que já esta a bordo, apenas esperando vocês. Vamos. - Fiz o que ele mandou, acordei a todos e fizemos o que Elliot mandou, entretanto tenha certeza de que ele me deve umas informações e ele vai respondê-las ou eu não me chamo mais Nicholas Morgenstern. Temos muito o que esclarecer e eu não estou conformado com essa sua postura de ofendido "amigo".

Ass: Yasmin Oliveira!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O Diário de Alice Jackson part.7


My name is Revenge.

Alice Jackson

Enquanto orava; pedi a Deus desculpas pelo meu sentimento de vingança, por querer matar o meu marido. Que Deus me perdoe, mas eu não quero odiar ninguém mas...eu fui abandonada, isso tem que me absolver deste pecado que neste momento assola a minha alma, é muita humilhação para uma garota de São Francisco. O barulho lá fora ficava cada vez mais ensurdecedor, eu não estou aguentando a minha curiosidade, entretanto não quero dar o braço a torcer e me dar ao desfrute dos saciamentos mundanos, como a curiosidade, mas devo dizer que estou tentada a sair. Como não há nada que me prenda a igreja, já que à missa pelo visto não haverá mais; vou sair, e desfrutar do meu prazer mundano salvo que eu resisti o máximo que pude. Sou uma heroína!
Quando saí avistei a mulher mais linda que já vi em minha vida, nunca tinha visto uma mulher tão formosa e elegante, exceto pela minha mãe que era uma flor delicada, e essa mulher me lembrava a minha mãe pela sua beleza e altivez. Cabelos negros, bem penteados, estava preso num penteado delicado com uma presilha muito cara isso era óbvio, o vestido então era um luxo, mas sem muitos babados e brilhos e paetês, o rosto era delicado, me lembrava uma boneca de porcelana. Não pude ver mais detalhes referente a essa desconhecida, todavia vi o homem que a acompanhava, deveria ser seu marido pela forma como a segurava, a sintonia que eles compartilhavam, a intimidade como se olhavam, espero algum dia ter algo assim com Nicholas...Espero...espero não matá-lo ou serei a viúva mais nova da cidade, risos.
Pelo que puder ver havia uma comitiva de nobres com este casal, era uma gente muito arrumada e refinada, os vestidos de muitas delas não era particularmente de meu gosto, mas enfim, não pode-se dizer que não eram exuberantes, com aqueles babados, paêtes...e você pode ter uma noção do resto. Os homens então estavam alinhadíssimos, pena a moda masculina estar um pouco exagerada, bufante, e feminina. Não que a minha opinião valha de coisa alguma, por isso a expresso com certa reserva, pois como não canso de dizer é o meu gosto o que não significa necessariamente nada, e é uma pena ressaltar que vocês estão a principio sujeitos a concordarem comigo, já que os mesmos não possuem uma opinião parcial dos relatos da minha história, a minha verdade contada. A minha visão ficou poluída com aquela parada improvisada, me canso rápido de tanta cor e informação junta, me entedia, gosto de coisas simples, e isto tudo era papagaiada demasiada.
Vontade de ir para casa não me falta, muito menos perna, todavia não deixarei Emma preocupada com meu sumiço, não seria justo, logo terei que esperar todo esse furdunço acabar e me encotrar com todos da fazenda. Inclusive com aquele peraltinha que me tira a paciência, e que deve estar aprontando todas na parada. Enquanto eu pensava que o padre ia ter uma síncope, o mesmo esta paparicando a nobreza de não sei lá da onde. Vendido, aprisionado pela luxúria desse mundo. Nem o padre se salva.
Encontrei Emma na multidão - aquele furdunço conseguiu criar uma multidão na minha pequena cidade - avisei-a que estava me retirando e indo para casa sozinha, estava insatisfeita.
O caminho de volta foi de calmaria como previsto, já que a cidade toda estava ocupada prestigiando os hereges que atrapalharam o culto. Quando cheguei em casa que susto não foi ver os cavalos de Nicholas e seu bando atados a pilastra de uma casa adjacente a propriedade, não sei nem como reagir. Fiquei um longo tempo analisando as opções a seguir; conclui que o melhor seria agir naturalmente, como se ele nunca tivesse ido embora - por hora agirei assim - porque o que pertence a Nicholas Morgenstern esta guardado e Revenge é meu nome secreto, continuei andando até a cozinha porém ouvi vozes e hesitei, parecia que havia borboletas em minha barriga ansiando para sair, comecei a suar pelos poros das mãos, e meu coração ficou acelerado ao ouvir o destacado som de sua gargalhada. Aquele som me encantou mais que tudo, todavia fiz cara de poucos amigos, entrei na cozinha, fiz o almoço, servi primeiro ao meu marido- que me olhou um pouco bobo, um pouco surpreso pela minha reação. Não discordo de sua reação, de primeiro intento teria eu colocado para fora toda a minha ira e frustração, mas a paz estava comigo e é claro: a astúcia - , ele comeu - servi os outros que foram ainda menos discretos com seus olhares furtivos a meu marido- , eles comeram, e só então eu comi. Depois de arrumar a cozinha pedi licença - ao sair ouvi eles comentarem sobre o porque eu não matei o Nicholas naquele exato momento, e porque eu não estava nem ai para esses malditos, e a resposta é que eu sou superior e estou guardando o meu espetáculo para hoje a noite, me aguarde Mr. Morgenstern - e decidi ler o diário da minha mãe pela centésima vez - nunca havia mencionado não é? Ficou curioso para saber o porque? Então continue lendo o meu diário, a minha verdade não calada, contada, revelada, posta perante ti. Te aguardo aqui, neste mesmo diário, para continuar instigado a me entender.

Ass: Yasmin Oliveira!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O Diário de Nicholas Morgenstern part. 6.


 Nicholas Morgenstern

Será que assustei Alice? Se sim, consegui o esperado. Foi só o que pensei, eu tenho coisas para resolver e não quero ter que me preocupar em dissimular até com minha mulher, só não posso informá-la de tudo - seria tão perigoso quanto. Depois do desjejum fomos para a cidade e fui conversar com o sr. Dick. Meus companheiros insistiram em entrar apesar de minha má vontade - não estava muito para platéia, era algo mais particular - no entanto eles jamais me permitiriam esse momento.
- Nicholas? O que fazes aqui?
- Acho que sabe muito bem Dick, eu vim cobrar uma dívida.
- Dívida? - perguntou um tanto inseguro, olhando para meus amigos, facilmente confundidos com capangas; ele praticamente tremia. Me controlei para não rir, Dick parecia um pardal assustado; não, que não tivesse motivo.
- Sim, eu preciso que cumpra com sua palavra. Preciso que me diga onde o maldito do Jackson está.
- De qual Jackson estamos falando? Porque eu conheço quatro.
- Estou falando de Elliot Jackson, não haja como se não soubesse.
- Eu não sei onde ele está. - tirei uma faca do bolso e me aproximei dele, coloquei a faca em seu pescoço e educadamente continuei o diálogo.
- Melhor que não grite ou posso fazer uma besteira - disse enquanto pressionava cada vez mais a faca em sua garganta, mas não o suficiente para ferí-lo, a princípio queria apenas assustá-lo a menos que houvesse a necessidade de alguma medida mais drástica - E se não cooperar posso fazer uma besteira maior ainda, espero que agora tenha uma resposta mais adequada - o Skinner riu e disse algo do tipo "depois desse seu olhar sanguinário, você sabe que eles sempre têm" e Jonathan concluiu "é melhor que tenham", essa conversa paralela assustou ainda mais o sr. Dick, percebi que o mesmo logo teria uma síncope então me afastei e o dixei respirar, e continuei - Já tem uma resposta satisfatória sr. Dick? - Ele apenas escreveu um endereço em um pedaço de papel e disse para nunca mais visitá-lo, o que não depende da vontade dele e sim da minha, todavia deixaria como está, por enquanto.
Preciso seguir esta pista enquanto está fresca, fui até a fazenda, Alice tinha ido ajudar na plantação e ama estava muito ocupada no forno, arrumei minhas coisas e fui embora. Até pensei em deixar um bilhete, entretanto não serviria de nada, pois não poderia colocar nada além de tive que ir, não podia dizer meu destino, nem quando voltaria, nem eu sei! Ela vai ficar melhor sem um bilhete que demonstre que eu me importe, odeio ilusões, logo não as transmitirei a ninguém. A poeira da estrada castigava meus olhos e o calor era intenso a essa hora da tarde, mas eu só conseguia pensar em uma coisa: eu precisava achar Elliot e Maryse, era importante.
O que será que está passando na cabeça de Alice? Será que está com raiva? Espero que seja fácil amansar a fera quando voltarmos, no entanto o importante agora é achar os pombinhos e contar que a vida de Alice está em perigo. Estou preocupado, e preciso saber se o plano deles de fugir deu certo e porque eu não podia saber de tudo, estou com um nó na cabeça e cansado demais para continuar a cavalgar, além do fato de já ter escurecido. Fiz sinal para Jonathan e ele repassou as ordens de parar, todos precisamos comer e de um merecido descanso, pois amanhã tem mais.
Paramos num vilarejo sem nome, fomos numa taberna bebericar e matar a fome. Acampamos fora da cidade, como sempre fazíamos, não digo que estava com saudades de dormir com um bando de macho que não cheira tão bem quanto a minha Alice, entretanto gosto de sentir a natureza e dormir no relento, me faz me sentir mais livre, sem barreiras. Dessa vez, o sentimento não é bem esse. Há algo diferente, não me sinto tão livre; na verdade me sinto preso a ela e a àquela maldita paisagem da janela - só Alice para me deixar insone por causa de uma maldita encosta, e insone por pensar nela! A minha Alice Morgenstern. Argh! Como essa garota consegiu me deixar desse jeito? Se eu contar isso pra os meus amigos eles vão rir, parece que finalmente uma mulher mecheu comigo, talvez mais do que fisicamente - isso me preocupa - eu tenho uma missão e não vou me desviar dela, não posso.

Ass: Yasmin Oliveira!

O Diário de Alice Jackson part. 5


Alice Jackson Morgenstern

 
Não há nada que me estimule mais do que um desafio. Eu não sei se interpretei bem mas o Nicholas estava me desafiando a desobedecê-lo e isso é estimulante, pretendo pirraçá-lo a primeira oportunidade. O dia seguiu-se como normalmente seguiria - meu marido e seu bando foram a cidade, muito bem vestidos como sempre - não voltaram para o almoço, Emma fez um ensopado delicioso e contando com a presença deles exagerou na quantidade, e os abnegados não deram nem satisfação. Gerenciei os empregados na plantação e dei uns cascudos no Tomy, que garoto peralta! Quando já estava para anoitecer, voltei ao meu antigo quarto - porque não entraria na casa principal toda suja de terra - tomei um banho longo e relaxante me arrumei com um de meus vestidos preferidos - estou de bom humor - e fui ajudar minha ama, o ensopado foi misturado a uns tempêros e foi levado a mesa com o pão que já não estava tão fresco. Comemos muito bem e ainda sobrou muito devo dizer, e nada deles chegarem, todos fomos brincar de imitar, de advinhar, e de tantas outras brincadeiras; até que ficou tarde e fomos dormir. Assim se passou a semana, neste mesmo ritmo calmo - voltei a dormir em minha cama, a usar as minhas roupas. No domingo todos da fazenda se arrumaram e fomos à missa, sempre pontuais chegamos cedo e sentamos nas primeiras fileiras, o culto começou e os louvores das crianças estavam cada vez melhores - me ocorreu que um dia seriam os meus filhos ali, Nicholas me beijou eu posso já ter engravidado - imagino meus filhos e o de Nicholas cantando no coral da igreja...Ah! Nada mais perfeito. Tudo no culto parecia primoroso até que ouviu-se o som de cornetas anunciando a chegada de com certeza alguém ilustre e egocentrico - vamos concordar que não se atrapalha um culto, a menos que se ache mais importante que Deus, o que essa criatura deve pensar? todos sairam da igreja, menos eu e Emma, até o padre foi ver o que atrapalhava a sua missa e repreendê-lo. Eu e Emma olhamos uma nos olhos da outra e suspiramos não iríamos prestigiar seja lá quem estivesse chegando, não havia sentindo sair da missa por qualquer que fosse o motivo, fomos até o altar e fizemos nossas orações, nos sentamos no banco e Emma pela primeira vez na semana tocou no assunto proibido - Em algum momento você vai me contar o porque seu marido foi embora?
- Eu já disse que não sei ama!
- Pra mim você está escondendo o que está acontecendo. - o que de certa forma é verdade, ainda estou seguindo as instruções de Nicholas, mas não será para sempre, não ficarei sob o jugo dele.
- Ama... Eu não estou mentindo, não sei porque ele foi embora, já disse que sei tanto quanto você. Me faça qualquer pergunta e responderei com a verdade.
- O que aconteceu na sua noite de núpcias?
- Nós fomos para o quarto, ele me ajudou a desabotoar o vestido, saiu, eu me troquei, ele tomou banho e dormimos. Nada de especial. - já estava quebrando as regras tendo que dar detalhes, ops!
- E ele não te disse nada?
- Disse boa noite.
- Só boa noite.
- Boa noite Alice Morgenstern, nada demais não acha?
- Entendo, e pela manhã?
- Ele me beijou, nos arrumamos e fomos tomar café da manhã.
- Só isso?- Emma sabe quando estou mentindo então vou ter que soar bastante convincente enquanto mudo o foco da conversa, e a distraio.
- Emma! Pare com tudo isso agora. O meu marido me abandonou e estou te dizendo que não sei porque, enquanto você desconfia que estou mentindo ao invés de me apoiar nesse momento. - Disse alterando a minha voz, tomara que tenha acreditado, até eu me achei convincente!
- Desculpe querida, ser uma mulher abandonada não deve estar sendo fácil. - isso! Ela parece ter acreditado, amém meu Deus por isso. Ainda não está na hora de revelar os detalhes da minha vida com Nicholas, vida essa que não durou quase nada, alguns dias, eu devo ser a mulher da cidade abandonada mais rápido.
- Na verdade, esta sendo ótimo. Salvo quando você me lembra que sou casada.
- Me desculpe, prometo não importunar-lhe mais com estes assuntos. Gostaria de sair e ver o que está acontecendo?
- Acho que vou ficar aqui e ler um pouco a minha bíblia, prefiro não conhecer o herege que ousa interromper o louvor desses anjinhos que cantam animosamente. Posso cometer uma loucura! - ama riu do meu humor negro, e saiu para matar a curiosidade.
Eu, Alice Jackson Morgenstern, estou definitivamente inconformada com a falta de noticias dele, deve pensar que sou uma idiota qualquer que ele casou, beijou e abandonou! Querido marido, não vai ficar por isso mesmo, mas sou paciente e esperarei você retornar ao lar e me vingarei desta humilhação.

Ass: Yasmin Oliveira!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O Diário de Alice Jackson Part. 4

 Créditos- Photographer- Jose Luis Tabueña


Acordei me sentindo totalmente feliz, agora sou uma mulher, ele ainda estava deitado e aconchegado a mim. Abri os olhos e olhei para Nicholas, e que coincidência saber que ele também me observava. - A quanto tempo esta acordado?
- A verdade é que eu acordei bem cedo e me debruçei no parapeito da janela enquanto via o sol nascer na encosta, sabe a minha mulher me disse que era como ver o paraíso e acho que ela pode estar certa. Foi a vista mais bonita que já vi.
- Parece que a sua mulher realmente entende tudo de lugares bonitos! - disse continuando a se referir a mim na terceira pessoa - risos.
- Mas não resisti a voltar para a cama e dormi de novo, tem pouco tempo que despertei.
- Já está tarde?
- Ainda temos tempo... - falou bem baixinho, quase como um suspiro deixando o final para representar fisicamente e não em palavras, talvez elas não fossem suficientes, ele chegou bem perto e apenas encostou a sua boca na minha - na hora pensei que iria engravidar sabe, foi o que pensei de imediato, mas o padre também disse que era permitido esse prazer carnal apenas para os casados, e eu sou casada então eu posso - eu ja vi meu pai encostar os lábios nos de minha mãe e foi tão suave quanto, pensando bem foi agradável. Eu não sabia como reagir, sem perceber estava fazendo biquinho e franzindo o cenho.
- Foi tão ruim assim? - perguntou um pouco preocupado, eu suspirei e respondi - Na verdade não foi isso, eu só não sei como...como...
- Como?
- Como reagir!
- Ah! Tente apenas retribuir.
- Retribuir?
- Er... Beije de volta. - esse era o nome: beijo. Parecia bastante óbvio a resposta, beijar de volta.
- Ok, acho que entendi. Tente de novo. - e então eu fiz biquinho, mostrando que estava pronta, ele riu entretanto me beijou e inicialmente com a mesma doçura de outrora, todavia eu não sei explicar o que aconteceu depois o beijo pareceu de alguma forma ficar mais intenso e com mais sentimento, se é que essa pode ser a classificação adequada para o que quero dizer, parecia que eu estava comendo o pão doce recém saído do forno da Emma, doce mas quente - ficando talvez quente demais - mas eu retribuía e me sinto envergonhada em dizer isso, eu nem o conheço, mas ele é meu noivo. Me afastei dele o mais suave que pude, estava arfando. Tomei fôlego e disse - Desculpe, estou confusa demais. O que foi isso tudo? - ele conseguiu sorrir apesar de também respirar com dificuldade.
- Um beijo. - falou como se tivesse sido a coisa mais natural do mundo e pode até ser para ele todavia eu não estou habituada a esta sensação.
- Não, não foi só um beijo. Quer dizer não que seja uma especialista no assunto, enfim é sempre assim? - falei colocando o meu braço para impedi-lo de levantar da cama, entretanto a minha atitude não foi bem interpretada como o esperado, porque o nosso contato pele com pele parecia que ia nos fazer explodir - e eu nem sei quem é a pólvora e quem é o fogo - fomos chegando cada vez mais perto e... Quase nos beijamos se não fosse minha ama ter batido na porta e dito o desjejum esta sendo preparado, com o susto tive um sobressalto e me afastei a uma distancia segura. Nicholas me olhou nos olhos, pegou nas minhas mãos e me trouxe para mais perto e finalmente se pronunciou - Nem todos tem isso, o que esta acontecendo é o que eu chamo de compatibilidade de corpos. Como se em outra vida os nossos corpos já se conhecessem e carregamos isso para outra vida!
- Acredita mesmo nisso?
- Acredito Alice, tem uma explicação melhor?
- Não tenho, mas pensarei em algo.
- Enquanto você pensa vou ver como eles estão se saindo. - acenei que sim com a cabeça, me levantei e fui ao banheiro, Nicholas provavelmente iria trocar de roupa e eu não presenciaria esta cena. Aproveitei e tomei um banho demorado apreciando cada segundo de limpeza e quando sai - coberta é claro - ele ainda estava lá, trocado de roupa é claro, o que não compreendi. Fingi não me importar, todavia não me agradava Nicholas me observar daquela maneira - como se tivesse olhando para um pedaço de carne - escolhi um vestido qualquer da minha mãe um com estampa florida bem discreta - agradecida - voltei para o banheiro e me troquei, mas claro que não consegui abotoa-lo, sai e pedi ao profissional - Se importa? - e novamente ele delicadamente abotoou, dessa vez demorando-se mais - e bom, ele acariciou minhas costas - fui nas nuvens e voltei - e lógico que fiquei arrepiada por completo.
Sentei defronte a penteadeira e arrumei o meu cabelo com uma trança, o que demorou um bocado, e Nicholas continuava ali me esperando, não entendi nada. - Achei que fosse ver se seus amigos estavam confortáveis! - indaguei curiosa.
- Decidi te esperar. - terminei a maldita trança e descemos, ele fez questão de caminhar de mãos dadas, me parou no meio da escada e disse - Não quero que converse com ninguém sobre o que acontece entre nós, nada. Não quero que ninguém saiba nem mesmo as coisas mais frívolas. - ele foi um pouco agressivo, admito que fiquei com um pouco de medo e me ocorreu que ele me esperava para isso, todavia não sei nada da vida dele, nem tenho o que dizer.
- Eu não sei nada sobre você, acho que não tem o que temer.
- Acredite Alice, o que você tem já é o suficiente. Tenho inimigos muito poderosos, e quanto menos souber melhor para a sua segurança. Então você não vai contar nada nem mesmo para Emma, eu sei que ela é sua ama, sua mãe e melhor amiga, acredite eu entendo tudo isso. Mas se descobrir que desobedeceu uma ordem tão simples quanto essa... Acredite, será melhor se você não tentar descobrir. - falou fazendo uma cara feia de mau, tentei fingir que não estava em frangalhos de medo depois da ameaça, graças ao meu bom Deus não transmiti nenhuma emoção que me colocasse em desvantagem e com a mesma petulância retruquei - Quando a Emma perguntar, e ela vai perguntar, posso pelo menos dizer que dormimos a noite toda porque ontem foi um dia longo? E que me beijou pela manhã? - ele pareceu ponderar.
- Façamos o seguinte, eu não quero que sua ama saiba que te pedi para não contar nada para ninguém, não seria gentil se parecer que a estou excluindo da sua vida. Logo toda vez que precisar contar algo para ela, primeiro converse comigo e se não houver nada com que tenha que temer... Tudo bem, a propósito não vejo nenhum problema, apenas conte como se fosse algo normal e nada de detalhes.
- Como preferir. - foi a minha resposta educada. Descemos de mãos dadas e todos os presentes na casa nos observavam, servi-lhe o café da manhã e depois todos puderam comer - inclusive eu que descobri estar faminta. Muitas coisas para pensar, esse homem é muito misterioso e não nego que entro em palvoroso só de pensar nas coisas terríveis que posso encontrar, e no lado negro dele exposto na descida da escada. Apavorei-me. Preciso estar preparada para reagir contra esse homem caso precise, não vou deixá-lo me surpreender, e não posso pedir ajuda. Estou sozinha nessa.

Ass: Yasmin Oliveira!

O Diário de Alice Jackson Part. 3



A cerimônia acabou tarde, estava exausta. Me dirigi ao meu antigo quarto, muito arrumado - sou um pouco compulsiva com limpeza, ok, talvez muito - mas o importante é que eu tinha me esquecido por um minuto que agora sou uma mulher casada e não a garota durona que assumiu a fazenda da família. Fiquei paralisada, com medo, o futuro parecia tão incerto. E de repente senti uma mão acariciar de leve o meu ombro, como se quisesse chamar a minha atenção - ok, todo mundo já imagina quem é, inclusive eu - me virei bem devagar enquanto ouvia a sua voz dizer suavemente - Sabia que te acharia aqui!
- E-eu - gaguejei ridiculamente - eu acho que não estou no quarto certo, deve ser o cansaço. - me forçei a dizer, sem conseguir não franze o cenho. Ele sorriu da minha patética confusão, idiota!
- Achei que estava fugindo de mim, mas já que você conseguiu explicar tudo de maneira tão clara... - disse sarcasticamente deixando a frase morrer sem concluir - ai que ódio, quem ele pensa que é? Eu sai do quarto e fui caminhando em direção a casa principal apressadamente, ele correu até me acompanhar - Se ofende tão fácil.
- E o senhor tem uma enorme dificuldade de conversar com uma dama, milord!
- Ai-ai! - ele suspirou e depois disso não ouvi mais a sua voz. Subimos para o quarto que ficava a norte da casa, mas tinha uma janela que ficava a leste e eu poderia ver o sol nascer na encosta tão distante, sentei e sorri ao imaginar acordar com aquela paisagem esplendorosa, o nascer do sol em sua magnânima forma, perdoando a noite pelo frio. Nicholas me viu sorrir e pela expressão em seu rosto não entendia o porque eu estava sorrindo - havíamos brigado, pelo que ele deve ter considerado uma idiotice completa - entretanto respondi a pergunta silenciosa - Quando era muito pequena eu acordava bem cedo para poder entrar escondido dos meus pais no quarto deles e amanhecer o dia debruçada no parapeito da janela e vislumbrar o sol nascendo nesta paisagem pitoresca, a sensação é de que... Você está vendo um pedaço do paraíso, entende? - Ele acenou que não, mas não me contive e continuei desta vez de pé e não sentada, fazendo gestos para complementar o que dizia - Eu sei que não, mas parece que o sol se esconde atrás daquela encosta mais a longe, pode ver? - mostrei na janela - meu pai uma vez me levou lá para ver se tirava essa teoria louca da minha cabeça e o que posso dizer? Ele me convenceu, ficamos acampados lá dois dias e eu descobri que o sol não se escondia na encosta. Foi um de nossos melhores momentos, mas você precisa ver o sol nascendo nesta janela. Parece que a luz dissolve toda a tristeza que esta paisagem pudesse oferecer. Simplesmente amo essa vista! - e sorri timidamente, quase um suspiro. Nicholas apenas me observava, nada mais fazia além de me observar e pensar. Decidi procurar uma camisola para dormir, escolhi uma simples - não necessariamente por timidez e sim porque sou uma garota simples como disse anteriormente, não gosto de muitos adornos - ele aproximou-se e desabotoou o meu vestido como se tivessemos intimidade para isso, como se não fosse a nossa primeira noite - subiu um arrepio na minha nuca, me contive o máximo que pude, ele estava sendo tão delicado. Quando acabou saiu e me deixou me trocar com privacidade - para o meu alívio - depois quando voltou entrou no banheiro e pelo barulho tomou um banho saiu coberto mais não vestido, escolheu uma roupa e se vestiu ali mesmo, óbvio que quando vi que ficaria nu me deitei logo e fechei os olhos, afinal eu sou uma dama e não estou acostumada a observar a nudez de homem algum - fui criada por Emma para ser uma lady, e a minha educação religiosa também contribuiu muito como já mencionei anteriormente, se o padre pudesse conversar comigo neste exato momento aposto como diria que estou sendo boba, pois sou uma mulher casada e ele o meu marido, mas não pude me impedir de corar.
Ele deitou-se ao meu lado, nos cobriu e bem devagar apriximou-se, suavemente colocou a mão na minha cintura e deslizou pela minha barriga - gelei instantaneamente, mas não me movi - controlei a minha respiração e relaxei, quando pensei que já podia dormir Nicholas encostou-se atrás de mim e aproximou a sua boca do meu ouvido, disse - Boa noite Alice Morgenstern! - e não disse mais nada, tão pouco realizou outros movimentos mais ousados, minutos depois pude perceber que havia dormido. Deveria estar muito cansado da viagem, sem falar dessa festa de casamento surpresa, tudo nesse dia foi intenso. Então é isso que um casal faz a noite? Eles se abraçam e dormem juntinhos? Eu gostei disso, parece tão certo - não que eu entenda de casamentos, todavia me sinto mais mulher depois da minha lua de mel. Será que amanhã vou me sentir mais madura? Serei chamada agora de senhora Morgenstern, é imponente, gosto disso. Parece que o sono também está me dominando então boa noite seja lá quem for que se interesse pela vida de uma garota como eu, quer dizer agora sou uma mulher completa.
Miss. Morgenstern.

Ass: Yasmin Oliveira!